A influência da musculação nos esportes aeróbicos | Sportplan Triatlhon

A influência da musculação nos esportes aeróbicos

Durante a vida esportiva de um atleta, uma dúvida sempre vem a tona quando há o desejo de alcançar a melhor performance: O exercício de força ajuda ou atrapalha o rendimento nos esportes predominantemente aeróbios?

Fleck & Kraemer (1997) demonstraram que a crença entre os atletas de fundo está baseado no fato de que o exercício de força diminua a quantidade de mitocôndrias, responsável pela produção de energia oxidativa no músculo, e que isto possa levar a uma redução no consumo máximo de oxigênio. Na verdade esta redução na performance nunca foi provada e a conclusão destes pesquisadores é a de que o exercício de força não prejudica o rendimento. Mas se o princípio da especificidade diz que devemos treinar o mais próximo possível do desempenho competitivo, por que devemos fazer exercícios de força? A explicação está no fato de que existem variações na utilização dos sistemas energéticos pelos diversos esportes. A maratona utiliza aproximadamente 98% do sistema aeróbico enquanto que no triathlon short pode chegar a 35% a participação do metabolismo anaeróbico. Outras razões para o treinamento de força são a prevensão de lesões, a redução do overtraining e o fator estético, ou seja, um programa de treinamentos de 14 semanas (segundo Dolezal & Potteiger, 1998) possibilitou um aumento de massa muscular em 5,5 kg para um grupo que praticou apenas musculação, e de 6,35 Kg para o grupo que praticou exercícios aeróbicos e musculação. Entretanto o desempenho no esporte pode ser comprometido dependendo da intensidade do exercício de força, que para ser utilizado na prevenção de lesões deve ser moderado (12-15 RM).

A orientação que deve ser levada em conta é a de que a prescrição do treinamento deve considerar a especificidade do esporte e também observar os seguintes pontos:

1 - Priorizar durante os treinos as capacidades físicas exigidas no esporte (Ex. 70% aeróbico leve, 20% aeróbico intenso -endurance, 5% anaeróbico lático, 5% anaeróbico alático). 


2 - Permitir uma recuperação adequada entre os treinos conforme o programa e o tempo teórico de recuperação de cada sistema. 


3 - Limitar o treinamento de endurance de alto volume e alta intensidade pelo alto estresse oxidativo que pode afetar a saúde a longo prazo do atleta. 
Referências

Fleck, S.J. & Kraemer W.J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 2ªEdição. Porto Alegre, 1999.

Dolezal, B.A. & Potteiger, J.A. Concurrent resistance and endurance training influence basal metabolic rate in nondieting individuals. J.appl.Physiol. 85(2):695-700, 1998.